Vou começar o texto com uma frase que, para quem leu Estranhos no Paraíso, vai soar tão redundante quanto "a água é molhada", mas vou dizer assim mesmo: Terry Moore é genial! Depois de escrever e desenhar seu grande sucesso, Strangers in Paradise durante um longo período - de 1993 a 2007 - em que a série passou por vários formatos, tendo, até mesmo, sido publicada em cores pela Image Comics, Moore resolveu encerrar a saga, que orbita o triângulo amoroso protagonizado por Katchoo, Francine e David. A história é concluída no número 90 do volume 3. O Total de edições incluindo os três volumes chega a 106 e o encerramento de uma história tão longa e tão cheia de reviravoltas é satisfatório, honesto e profundamente emotivo.

Falando de triângulos amorosos e coisas emocionais, parece que a obra é um romance água com açúcar, né? Pois nada está mais longe da verdade. A história começa como um verdadeiro sitcom. Uma comédia naquela formula que os americanos sabem fazer tão bem e da qual a série Friends é uma das grandes representantes. Durante a evolução da história, passamos de sitcom, para aventura, conspiração política, comédia romântica, trama policial, drama e tudo sempre se encaixa com perfeição e o segredo de Moore para isso é simples; o foco intenso nos personagens. Nenhuma pessoa é apenas uma coisa, ninguém é um Smurf. E os personagens de Moore são pessoas, com contradições, passados e segredos. É essa profundidade que permite reviravoltas brutais na trama e no tom da HQ sem que ela perca sua veracidade, e são essas reviravoltas que mantêm a obra interessante até o final.
Estranhos no Paraíso é uma obra prima e 14 anos trabalhando em um único projeto levantou dúvidas se havia mais o que se esperar do trabalho de Terry Moore. Menos de um ano depois do encerramento de EnP, Moore começou uma nova série, Echo, uma aventura digna de qualquer filme de ação. Conspirações, cientistas obcecados, uma arma secreta, ramificações sobrenaturais e pessoas. Pessoas com toda a vasta gama de possibilidades que existe dentro de cada indivíduo.

Echo é um filme de ação pronto. Os direitos até já foram comprados e a série encerrou em 30 edições, em junho de 2011. Uma conclusão honesta, senão grandiosa e a promessa de mais, se um dia o autor resolver retornar aos personagens.
Moore, no entanto, parece incansável e decidido a não se restringir a um único gênero. Seu novo trabalho Rachel Rising, conta a história da jovem Rachel Woodall que volta dos mortos depois de ter sido estrangulada e enterrada em uma cova rasa. Enquanto ela tenta recobrar a memória do que lhe aconteceu, descobrimos que há muito mais coisas estranhas permeando a pequena cidade de Manson, no interior dos Estados Unidos, onde ocorre a trama, e Rachel parece estar no centro de tudo.
Como eu disse no começo - genial!


















