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Quadrinhos e Artigos

Terry Moore

by armagem on 20/07/2012 at 11:53 am

Vou começar o texto com uma frase que, para quem leu Estranhos no Paraíso, vai soar tão redundante quanto "a água é molhada", mas vou dizer assim mesmo: Terry Moore é genial! Depois de escrever e desenhar seu grande sucesso, Strangers in Paradise durante um longo período - de 1993 a 2007 - em que a série passou por vários formatos, tendo, até mesmo, sido publicada em cores pela Image Comics, Moore resolveu encerrar a saga, que orbita o triângulo amoroso protagonizado por Katchoo, Francine e David. A história é concluída no número 90 do volume 3. O Total de edições incluindo os três volumes chega a 106 e o encerramento de uma história tão longa e tão cheia de reviravoltas é satisfatório, honesto e profundamente emotivo.


Falando de triângulos amorosos e coisas emocionais, parece que a obra é um romance água com açúcar, né? Pois nada está mais longe da verdade. A história começa como um verdadeiro sitcom. Uma comédia naquela formula que os americanos sabem fazer tão bem e da qual a série Friends é uma das grandes representantes. Durante a evolução da história, passamos de sitcom, para aventura, conspiração política, comédia romântica, trama policial, drama e tudo sempre se encaixa com perfeição e o segredo de Moore para isso é simples; o foco intenso nos personagens. Nenhuma pessoa é apenas uma coisa, ninguém é um Smurf. E os personagens de Moore são pessoas, com contradições, passados e segredos. É essa profundidade que permite reviravoltas brutais na trama e no tom da HQ sem que ela perca sua veracidade, e são essas reviravoltas que mantêm a obra interessante até o final.

Estranhos no Paraíso é uma obra prima e 14 anos trabalhando em um único projeto levantou dúvidas se havia mais o que se esperar do trabalho de Terry Moore. Menos de um ano depois do encerramento de EnP, Moore começou uma nova série, Echo, uma aventura digna de qualquer filme de ação. Conspirações, cientistas obcecados, uma arma secreta, ramificações sobrenaturais e pessoas. Pessoas com toda a vasta gama de possibilidades que existe dentro de cada indivíduo.

Echo é um filme de ação pronto. Os direitos até já foram comprados e a série encerrou em 30 edições, em junho de 2011. Uma conclusão honesta, senão grandiosa e a promessa de mais, se um dia o autor resolver retornar aos personagens.

Moore, no entanto, parece incansável e decidido a não se restringir a um único gênero. Seu novo trabalho Rachel Rising, conta a história da jovem Rachel Woodall que volta dos mortos depois de ter sido estrangulada e enterrada em uma cova rasa. Enquanto ela tenta recobrar a memória do que lhe aconteceu, descobrimos que há muito mais coisas estranhas permeando a pequena cidade de Manson, no interior dos Estados Unidos, onde ocorre a trama, e Rachel parece estar no centro de tudo.

Como eu disse no começo - genial!

 

Quadrinhos Digitais

by armagem on 04/06/2012 at 11:47 am

Têm-se discutido muito, ultimamente, sobre a questão do quadrinho digital. Para alguns é uma verdadeira heresia, para outros um futuro inevitável, para mim, apenas uma questão de ponto de vista.

 

 

 

 

 

Sou um fan confesso de Star Trek e, décadas antes de chegarem ao mercado convencional, celulares e tablets já eram uma realidade na minha cabeça. Eu via os personagens de Jornada nas Estrelas andando, para cima e para baixo, lendo livros inteiros em dispositivos que cabiam na palma da mão, que guardavam quantidades imensas de informação, além de servir para se comunicar. É, eu sei, isso agora é lugar comum, mas, durante muito tempo, foi apenas ficção científica.

O advento das gráficas rápidas e dos sistemas de impressão por demanda, deram um bom impulso aos selos independentes. Apesar do custo maior por exemplar, o investimento para a produção tornou-se infinitamente menor, possibilitando a muitos autores publicarem seus trabalhos sem depender de uma editora, apesar do custo alto por exemplar acabar por afastar o público informal, condenando esses trabalhos a um gueto.

Chega a era dos blogs e da internet 2.0 e muito autores começam a publicar online, surge até mesmo um tema para WordPress voltado para a administração de sites de quadrinhos, o Comicpress. Diversos autores começam a publicar seus quadrinhos online, formando um público consistente, para, apenas depois, disponibilizar uma versão impressa de seus trabalhos. Onde, antes, apenas umas poucas dezenas de pessoas tinham acesso aos quadrinhos de determinado autor, agora, milhares, ou mesmo milhões, podiam ler trabalhos que, de outra forma, jamais "veriam a luz do dia".

As versões impressas das séries online são acompanhadas de mimos, de extras, coisas que justifiquem a compra de um material que, também, está disponível gratuitamente na internet. Mas nem precisava. O fetiche de possuir uma versão física do trabalho ainda é o que realmente motiva a maioria dos compradores.

Com o estrondoso sucesso dos tablets e dispositivos móveis, as próprias empresas de publicação tradicionais acabaram por se render ao meio digital, publicando seus quadrinhos em ambos os meios. E a venda de quadrinhos digitais têm crescido bastante. Isso aconteceu muito por causa do alcance. As pessoas, agora, podem comprar seus quadrinhos preferidos em qualquer parte do mundo, é o consumo sem fronteiras.

Mas há resistência. Muitos ainda consideram que para publicar "de verdade" tem que ser em papel. Outros pontos são os preços e as limitações da tecnologia nos dispositivos móveis, além de que os lançamentos digitais saem pelo mesmo preço das publicações físicas, apesar do seu custo de produção ser infinitamente menor.

Nas próximas décadas o mercado deve se adaptar seguidamente e, a medida que a tecnologia avança, a publicação eletrônica deverá tornar-se o padrão. De forma alguma eu acredito que isso seja o fim das publicações impressas, mas apenas trabalhos diferenciados, ou com público garantido receberão versões físicas.

Comigo já é assim. Tenho pouco espaço nas prateleiras, mas muitos gigabytes disponíveis nos meus HDs, então, para ganhar um lugar na minha estante, a publicação tem que fazer por merecer.

Por Fernando Lima

O Episódio Politicamente (in)Correto

by armagem on 06/04/2012 at 12:55 pm

Nossos amigos se veem numa enrascada, quando são processados pela Liga Protetora de Monstros Extra-Planetários por atirar contra... bem... monstros extraplanetários.

Afinal, aonde vai parar o politicamente correto!

Fora de Órbita 07: O Episódio da Cerveja Romulana

by armagem on 21/03/2012 at 8:28 am

Após um pequeno acidente com a nave de um amigo Wookiee, Fernando Lima e JJ Marreiro, são resgatados das escaldantes areias do planeta desastroso por uma nave da Frota Estelar. É hora, então, te tirar o cheiro de naftalina dos velhos uniformes, sentar no balcão da área de convivência e bater um papo descontraído sobre Star Trek – sua mitologia e o conceito de suas séries – Fique, agora, com o episódio 7 do video cast Fora de Órbita:

Apesar da nave apresentada no episódio ter um design não oficial e nunca ter sido usada em nenhum episódio ou série de Star Trek, o cenário do bate-papo foi modelado a partir das especificações do Ten-Forward da Enterprise NCC1701-D. Esse é o local onde os tripulantes da nave vão para relaxar, tomar um drink, jogar ou apenas bater um papo.

As naves da classe Galaxy foram projetadas para longos períodos no espaço, dando à tripulação poucas oportunidades para desembarques. Descanso e recreação são essenciais, além disso, a interação social ajuda a melhorar a dinâmica da tripulação, tornado-os mais do que simples profissionais que trabalham juntos.

Ten-Forward

Mais informações (em inglês): Starship Guide

Assista também aos episódios anteriores:
Episódio 01: O episódio em que eles falaram de Heróis Espaciais
Episódio 02: O episódio em que eles falaram sobre REBOOT’s
Episódio 03: O episódio em que eles falaram de clones e outras coisas
Episódio 04: O episódio Pró-Alien
Episódio 05: O episódio em que eles falaram numa convenção de Quadrinhos
Episódio 06: O episódio Desgraçadamente Desastroso

 

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Moebius, o ciclo enigmático de uma arte que tende ao infinito

by armagem on 13/03/2012 at 12:31 pm
Matéria escrita por: JJ Marreiro para o Laboratório Espacial.

MOEBIUS

Foi noticiado neste 10 de março de 2012, o passamento do artista Jean Giraud, o cartunista francês conhecido no mundo todo como Moebius.

Jean Giraud começou na faculdade de artes e ganhou o mundo com suas ilustrações, quadros, arte sequencial, animações e desenho de produção para filmes como Segredo do Abismo, Duna, Mestres do Universo, Tron, Alien e Quinto Elemento. Numa estrada intensa repleta de criatividade e experimentalismo Jean Giraoud provocou, instigou e inspirou como poucos. Suas pranchas da série Incal, seu trabalho pioneiro na Metal Hurland e suas narrativas de faroeste com o Tenente Bluebarry encantam hoje como encantaram em sua estréia. Poucos artistas tem esse poder de serem geniais transcendendo seu próprio tempo.

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Dono de um traço seguro, cheio de tridimensionalidade, Giraud integrava uma elite de quadrinistas que não economizava cenários, nem detalhes. Sua representação de ambientes e figurinos era complexa, refinada e tão leve ou densa quanto exigisse a trama. Ficção científica, fantasia e western foram gêneros que o consagraram.  Poucos artistas conseguiram, tão bem quanto ele, representar ou sintetizar o quadrinho europeu e seu pensamento ao explorar o homem em sua fragilidade e pequenez diante do gigantismo do mundo a seu redor. Os cenários de suas narrativas eram grandiloquentes, magnanimos, vastos, seus enquadramentos davam vazão a horizontes infindáveis deixando o leitor a se indagar “como Moebius consegue desenhar um mundo tão imenso num painel tão pequeno?”.

MOEBIUS_594_02

O pseudônimo “Moebius” era homenagem a um matémático alemão do século 19, August Ferdinand Möbius e a seu objeto de estudo mais famoso a fita de Möbius, um objeto que possuía apenas uma borda e apenas um lado, mas propunha um movimento contínuo, complexo, propenso a suscitar reflexão tanto nos bobos quanto nos gênios. Assim era Giraud, um enigma, uma proposta de inexistencia dentro da existencia.

Se foram limitados seus dias materiais sobre o planeta, seu trabalho, sua energia e sua inteligência continuarão sendo -  sem limites  -  uma grande força impulsionadora enquanto seu traço continuar a encantar, influenciar, inquietar e estimular leitores e artistas nos dias que vierem.

O Homem passa, sua arte fica.

Notícia e perfil no Universo HQ

Notícia da BBC Brasil

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